Tributo ao Rio de Janeiro: Pedra da Gávea, Pedra do Sino e Pico das Agulhas Negras

Autor: Marco Falcão Critsinelis

Gostaria de apresentar aos visitantes e integrantes do Clube dos Aventureiros uma abordagem panorâmica das montanhas e trilhas do Estado do Rio de Janeiro, com os exemplos da Pedra da Gávea(capital), da Pedra do Sino(Petrópolis/Teresópolis) e Pico das Agulhas Negras(Itatiaia).

Esse excelente site de aventuras possui testemunhos de enriquecedoras experiências de amantes do montanhismo e das trilhas, que demonstram a diversidade de ambientes, paisagens e maravilhas naturais do nosso Brasil. Escolhi, entretanto, o Estado do Rio de Janeiro porque, antes de tudo, sou carioca, mas também como convite aos demais conterrâneos nacionais e estrangeiros, como defesa e protesto pelos tristes eventos que difamam o estado fluminense e sua capital, no que se refere à segurança pública.

Destaquei a Pedra da Gávea porque ela é o principal símbolo turístico da natureza carioca, cravada no coração da zona praiana, fornecendo uma visão espetacular e deslumbrante de outras e não menos importantes destaques naturais da cidade, a praia da Barra da Tijuca, do Pepê ao Pontal, no Recreio dos Bandeirantes, além da Pedra Bonita, o Morro Dois Irmãos e... o melhor é olhar as fotos.

A trilha da Pedra da Gávea é difícil. Você pode acessá-la por meio de diversos pontos, sendo o principal a entrada que começa na Barrinha(Jardim Oceânico), bem no comecinho da Barra da Tijuca. A indicação para esse acesso é precária ou quase inexistente, por isso, é importante portar um mapa. Já na trilha, após passar pelo posto de fiscalização, o caminho é relativamente indicado. É extensa e requer rápida escalada, de preferência com equipamentos apropriados. A conservação do parque e da trilha melhorou muito de uns tempos para cá. Contudo, muito longe do ideal. Quando você chega à etapa principal, a carrasqueira, é preciso praticar escalada por aderência, para os experientes, ou por instrumento, estando fixado nos locais críticos, cabos de aço. O ideal é que você contrate um guia, principalmente se for acompanhado de crianças. A “VEJA RIO”, EDIÇÃO ESPECIAL DO VERÃO 2011/2012, indica as empresas NATTRIP(21-2173.1164), a BRASIL ACTIVE(21-2425.8441) e a CAMINHARTE(21-2457.8655).

Superadas as dificuldades, benzidas por uma linda trilha, você chega num imenso platô. É o local de descanso e do lanche. Porém, é preciso subir mais para alcançar o topo do topo. Caminho curto, mas inóspito.

A Pedra da Gávea é a maior rocha de gnaisse à beira-mar do planeta, com 842 metros, e é inspiração para lendas e mistérios por causa de suas grutas. Se der sorte, lá no alto, você poderá testemunhar a audácia e coragem do voo livre e do parapente. Olhe as fotos. Vale a pena conferir e superar o desafio.

Localizada em umas das regiões(serrana) mais lindas do Estado do Rio, a Pedra do Sino, maior montanha de Petrópolis(2.275metros), e seu nascer do sol, é demais conhecida e explorada por trilheiros, amantes da natureza e aventureiros. Nesse site você encontra tudo sobre ela, com maior autoridade, de “a” a “z”. Não poderia deixar de mencioná-la ao catalogar símbolos fluminenses. É um marco da aventura e tão famosa sua travessia(nada mais nada menos do que 30 quilômetros) quanto o Monte Roraima. Ela é a cara do Rio. O acesso se dá por dois pontos: Petrópolis(Estrada do Bonfim, s/nº, Corrêas, tel: 24-22360475), Teresópolis(Av. Rotariana s/nº, Alto, tel: 21-21521100 ou 21-21521120) e Guapimirim(Estrada Rio-Teresópolis – BR-116, KM 98, Barreira, tel: 21-36331898). Maiores informações no site www.icmbio.gov.br/parnaso. Situada na Serra dos Órgãos, depende de regras rígidas a serem seguidas pelos usuários, além do pagamento de taxa de ingresso e de pernoite. O nível de dificuldade é distinto. Por Teresópolis, até a chegada ao abrigo, a trilha é extensa e cansativa, apesar de linda. Ao seu término, você encontra o destino de repouso, o Abrigo 4. Todavia, você ainda não chegou à Pedra do Sino. É necessária ainda uma caminhada em rocha íngreme, de mais ou menos meia hora. Em geral, essa etapa fica para o início do dia seguinte, bem cedo, para ver o sol nascer. Não dei sorte, mas você pode complementar minhas fotos com aquelas fornecidas pelo pessoal que teve o prazer de vivenciar essa imagem.

O Abrigo 4 não é lá essas coisas. O fluxo de pessoas é grande, tanto para visita quanto para o pernoite. O abrigo tem boa capacidade de acomodação, porém a infra é deficiente. Só para citar, não tem luz(é tão fraca que não ilumina e não se sustenta) e a cozinha tem um fogão mínimo. Enfim, o trânsito de pessoas lá dentro é complicado e a espera é grande para cozinhar.

Bom, nesse momento, faço um parêntese para a livre manifestação do direito de protestar. O Estado administra, com monopólio, os parques. Todavia, as atividades de trilha, acampamento e montanhismo são consideradas de forma espartana, conservadora e retrógrada pela maioria dos administradores, na medida em que consideram essas atividades praticadas por hippies, desocupados e outros qualificativos pejorativos. Nesse sentido, um grupo de cidadãos que não merece do Estado o devido zelo e cuidado. O potencial dessas atividades não exige, segundo eles, uma política pública que ofereça fiscalização, sinalização e segurança. O nosso país negligencia o lazer voltado para seus atributos naturais e não tem a dimensão da capacidade de se promover a integração do povo com o meio ambiente e da sadia relação social que se trava na trilha e na montanha(o que nós conhecemos como ética). Entendo que nossos governantes deveriam reavaliar essa situação, em particular pelos eventos de porte que ocorrerão no país, com destaque para o Rio+20, em junho de 2012, a Copa do Mundo, em 2014 e as Olimpíadas, em 2016, sem prejuízo de o Rio ser destino turístico periódico(carnaval/fim de ano). A boa gestão dessas áreas e atividades(trilhas, montanhismo e camping) seria mais um atrativo para o turismo nacional e internacional. Isso é possível? Já existe em outros lugares? Claro. Pesquise, por exemplo, a gama de estruturas dessas atividades na França. Outra coisa.

Feito o desabafo, da Pedra do Sino viajo para o Pico das Agulhas Negras, no Parque Nacional de Itatiaia, perto de Resende, pela Dutra. Esse símbolo é uma grandeza. São 2.800 metros de escalada em rocha. É necessário equipamento previamente discriminado pela administração do parque. Exige-se conhecimento e técnica, aconselhando-se o acompanhamento de um guia, com rol disponível no site do parque. O acesso ao parque é difícil. Não é pela entrada principal, mas pela estrada em leva em direção a Engenheiro Passos, Itamonte, São Lourenço. A estrada é íngreme, de terra, com muitos cascalhos. Atualmente, está sofrendo melhorias(eu estive lá recentemente, em abril de 2012). É possível o pernoite no abrigo(nominado de Rebouças) e na área de camping. É necessário reservar(www.abrigoreboucas.com.br/tel: 24-3352.1292 e 24-3352.6894).

A organização desse parque é muito boa. Você chega ao posto, assina o termo de responsabilidade e recebe um crachá de permanência. É possível deixar o carro(4x4) no estacionamento do posto. Existe serviço de van para esse traslado ida e volta. Do posto ao abrigo você vai andando com as bagagens, uns dois quilômetros.

O ambiente do parque é repleto de opções, sendo a principal a escalada do Pico das Agulhas Negras, um maciço imponente de rocha desfigurada pela erosão. Outra opção de escalada são as Prateleiras, tão desafiadora como o pico. Outros passeios estão disponíveis, como ao Morro do Couto, ao Morro do Altar e à cachoeira Airuoca.

O abrigo Rebouças é bom. Bem aquecido(exceto o banho que é frio, muito frio). As instalações são amplas e relativamente confortáveis, com luz alógena e fogão industrial de grande porte. Depois da trilha e da escalada exigidas pelo Pico das Agulhas Negras, a boa estrutura é um alento para o pernoite. Prepare-se, pois faz muito frio, com registros de nevascas. Quando for, não deixe de assinar o livro localizado em lugar de difícil acesso, só quando você atinge no GPS a marca de 2.800 metros. As minhas fotos registram alguns cenários vistos durante as seis horas e meia de diversão(otimismo). Um show à parte foi a lua nascendo sobre o Pico das Agulhas Negras. Por fim, é bom dizer que os cadetes da AMAN formam-se na especialidade de montanha naquele complexo de montanhas. Dá para imaginar o nível.

É isso. Mais uma vez foi um prazer compartilhar com o Clube dos Aventureiros algumas experiências, agradecendo, desde já, o espaço e a tolerância por me permitir politizar alguns enfoques que, em princípio, deveriam ser somente de diversão e prazer. Mas, de qualquer forma, as atividades de trilha, montanhismo e acampamento devem merecer maior atenção e respeito das autoridades.

Abraços a todos.

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