Parque Nacional do Caparaó - Training Camp

 

Olá Pessoal,

Na semana passada estive treinando no Parque Nacional do Caparaó - Pico da Bandeira. Foi um feriado muito especial para mim, pois estar nas montanhas me fortalece e me faz esquecer da civilização, computadores, telefones, carros, etc. Neste lugar é apenas você e a natureza, escutando o barulho do vento, das cachoeiras e dos animais.

Cheguei a Alto Caparaó na quarta-feira na hora do almoço. De Belo Horizonte para lá são 330 km com uma estrada que nos lembra bem como o Governo trata aqueles que necessitam das rodovias e pagam seus impostos. Um total descaso. Gastei mais de 5 horas.

Fui direto para o hotel e aproveitei o dia para curtir um pouco na piscina aquecida, dormir um pouco e preparar os equipamentos necessários para iniciar os treinos no dia seguinte. O hotel fica a 1 km da portaria do parque e fui informado de que é necessário pagar uma taxa diária de R$11,00 por pessoa por dia para ingressar no mesmo. Não acho errado pagar taxas, pois isso garante a conservação dos parques, mas neste caso acho que o Parque Nacional do Caparaó poderia ter uma infraestrutura melhor. Nada demais apenas mais indicações das trilhas, informativos relacionados à distância, desnível, etc. para que as pessoas não sejam pegas de surpresa. Fui informado também de que o parque só abre às sete da manhã e isso me deixou um pouco frustrado, pois tinha levado as minhas lanternas de cabeça e tinha a intenção de iniciar alguns treinos pela madrugada.

Nesta época do ano o clima é bem agradável fazendo um pouco de frio à noite e esquentando durante o dia. Como não chove há bastante tempo a umidade estava baixa e em maiores altitudes acaba atrapalhando um pouco.

Para o treino preparei uma mochila com 2 litros de água, alguns sachês de gel, castanhas de caju, amendoim além de alguns equipamentos de segurança como apito, kit primeiros socorros, documento, telefone e uma pulseira de identificação. Como o parque é controlado existe certa segurança no controle de entrada e saída de pessoas além do trânsito grande de caminhantes subindo e descendo a todo o momento. Isso gera uma segurança maior para andarmos sozinhos pelo parque. De toda forma é sempre importante levar equipamentos e mantimentos adicionais como forma de segurança pois o clima pode virar e eventuais imprevistos acontecem e temos que estar preparados.

Com relação às roupas gosto de utilizar calça comprida para proteger um pouco as pernas das escoriações e das possíveis quedas. Uma camisa de corrida normal e um corta vento. Um tênis próprio para trilhas e meias reforçadas para tentar aliviar um pouco a formação de bolhas. Levei na mochila um par de luvas e um gorro como segurança, pois não tinha certeza de como poderia estar à temperatura a quase 2900 m. Acho muito importante as luvas, pois problemas nas mãos irão afetar também a sua alimentação, hidratação e coordenação dos movimentos.

Na quinta-feira acordei cedo, tomei um café da manhã reformado e parti para o sonhado cume do Pico da Bandeira. Sai do hotel correndo em ritmo lento e fui subindo, passei pela portaria, paguei a taxa, documentação e segui morro acima. Os primeiros 7 km são de estrada de terra até chegar ao lugar conhecido como Tronqueira.

 

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 Fui subindo em ritmo controlado e curtindo o visual. A subida é bem dura e o desnível é de aproximadamente 1000m. Existem apenas dois trechos planos e de curta distância. Todo o restante do caminho é em subida. Na Tronqueira é possível chegar de carro e tem uma vista muito bonita. Muitos mochileiros acampam por lá. Durante a subida diversos carros passaram por mim levando caminhantes que partem da Tronqueira rumo ao cume do Pico da Bandeira.

 

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 Chegando à Tronqueira fiz uma parada rápida para tomar um sache de gel, retirar o corta-vento e seguir em frente rumo ao Terreirão distante aproximadamente 4 km.

 

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 Deste ponto em diante a estrada se transforma em uma trilha bastante técnica repleta de pedras por toda a parte. É preciso bastante atenção nas pisadas para evitar escorregões e torções. O caminho segue as margens do Vale Encantado onde águas cristalinas escorrem pelas pedras formando cachoeiras e piscinas naturais. É um trecho muito prazeroso para correr, pois a trilha apresenta trechos técnicos com subidas fortes e vários obstáculos. Durante esse trecho já é possível avistar o Pico da Bandeira ai longe. Bastante imponente em meio às demais formações rochosas. Próximo ao Terreirão é preciso enfrentar uma pequena subida bastante dura.

 

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 O Terreirão é o último ponto onde os montanhistas e caminhantes acampam e serve de base para o “ataque ao cume” que as pessoas fazem ainda pela madrugada visando atingir o Pico da Bandeira antes do sol nascer. Neste ponto a altitude é de aproximadamente 2500m. 

 

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 Chegando ao Terreirão parei mais uma vez rapidamente para me alimentar. Aproveitei para comer algumas castanhas, me hidratar um pouco mais e preparar o corpo e a mente para as subidas mais íngremes e trechos muito técnicos rumo ao Pico da Bandeira. Estava me sentindo bem embora as pernas já dessem sinais de cansaço devido aos 1500m de desnível já acumulado em apenas 11 km. É impressionante o quanto as subidas técnicas desgastam a musculatura.

Deste ponto até o cume do Pico da Bandeira são aproximadamente 3 km de subidas íngremes por pedras com alto grau de dificuldade. Parti lentamente me preocupando em manter um bom ritmo e realizar a técnica correta para subir alterando caminhada e corrida por meio das pedras e subidas. À medida que me aproximava do Pico da Bandeira o visual se tornava cada vez mais bonito, as subidas mais duras e a respiração mais ofegante. O último quilômetro é uma verdadeira escalada e neste ponto tratei de aplicar uma boa técnica de caminhada utilizando as mãos para me ajudar na impulsão. Coloquei novamente o corta-vento e segui morro acima.

 

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Depois de 2 horas e 11 minutos atingi o Pico da Bandeira com quase 2900m de altitude. Girei em torno de mim, abri os braços e dei um grito bem forte. Chegava ao terceiro ponto mais alto do Brasil. Não tinha ninguém lá em cima e pude colocar as mãos nos joelhos e ainda ofegante observar as montanhas que cercam o Pico da Bandeira e deslumbrar com aquele visual incrível.

 

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 Sentei e fiquei admirando aquela paisagem enquanto me alimentava e me hidratava já pensando na descida. Foram poucos minutos lá em cima. Ventava bastante e a temperatura do corpo começou a cair rapidamente. Levantei-me ainda um pouco ofegante e iniciei a descida.

 

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 Os primeiros trechos da descida tomei muito cuidado, pois são íngremes e com muitas pedras soltas. Qualquer descuido poderia resultar em uma queda. À medida que descia meu corpo ia se soltando e ganhava mais confiança para aumentar um pouco a velocidade. Correr em descida envolve bastante técnica e a atenção deve ser redobrada em cada movimento. Trechos que demorei muito tempo para subir agora eram superados rapidamente. Para correr em descida é importante não deixar que o corpo acelere muito e evitar grandes saltos que podem ser tornar uma grande alavanca para uma possível torção. O ideal é manter a passada curta e rápida.

Chegando ao Terreirão parei um pouco para me hidratar pois no primeiro trecho da descida fiquei tão concentrado no chão que acabei me descuidando da hidratação e alimentação. As pernas estavam um pouco cansadas pela descida técnica. Segui em frente rumo a Tronqueira.

Este trecho para mim foi o melhor de todos, pois se trata de uma descida técnica, porém com um grau de dificuldade menor é torna-se possível imprimir um bom ritmo e apreciar a paisagem. Fui aumentando a velocidade à medida que descia e ganhava confiança. Passei por várias pessoas neste trecho que olhavam um pouco assustadas a maneira como descia. No Brasil este esporte ainda não ganhou espaço na mídia e não é comum para as pessoas ver corredores de montanha. Espero que isso mude daqui um tempo e que o Pico da Bandeira possa ser um lugar para encontros de corredores para treinos.

Cheguei à Tronqueira bem e com alguns incômodos nas pernas, pois já tinha descido 7 km. Faltava agora o trecho final até o hotel que seria percorrido por estrada de terra. Aproveitei para correr um pouco mais solto e não forçar muito as pernas, pois ainda teria que repetir esse trajeto mais dois dias.

Desci apreciando a vista e deixando que o corpo ditasse o ritmo. Parei em algumas fontes de água para me hidratar e jogar um pouco na cabeça para refrescar do calor que já causava certo desconforto. Foi uma descida tranqüila até a portaria do parque onde fiz o meu registro de sai e segui em direção ao hotel.

 

Chegando ao hotel tomei um banho rápido para tirar a sujeira e fui direto para a piscina de água fria recuperar as pernas. É impressionante o quanto a água fria ajuda na recuperação muscular. Fiquei 20 minutos que água na cintura e aproveitei para me hidratar e me alimentar. Almocei em seguida e depois nada melhor que uma soneca da tarde. No final do dia fui para a piscina de água quente para relaxar os músculos, jantar e cama novamente para começar tudo outra vez.

Acordei no segundo dia inteiro e percebi a grande diferença que existe entre os atletas profissionais e nós amadores que no dia a dia temos que trabalhar de 8 a 12 horas e ainda treinar. Quando de está por conta do treinamento e recuperação o corpo responde de outra maneira.

No segundo dia fiz o mesmo trajeto. A perda do rendimento foi pequena em relação ao primeiro dia e fiquei muito feliz com o treino. Aproveitei para conhecer alguns lugares do parque que não tinha visitado como o Vale Encantado, Vale Verde e a Cachoeira Bonita. Tudo muito rápido para não quebrar o ritmo do treino.

 

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 No terceiro dia refiz o mesmo trajeto dos dias anteriores, porém decidi ir sem relógio. Sem me preocupar com o tempo, ritmo, freqüência cardíaca, nada além de sentir o corpo e me conduzir através das sensações. Foi muito bom estar ali correndo sem nenhuma referência que não seja o meu próprio corpo me conduzindo morro acima.

Cheguei ao Pico da Bandeira bastante cansado. O desnível acumulado ao longo dos dias agora começava a se mostrar. Para descer fiz uma coisa que não gosto e aconselho as pessoas a não fazer: ouvir música correndo. Estava com vontade de experimentar uma descida técnica com pedras e obstáculos com ritmo. Foi quase um suicídio. O ritmo da música me deixou eufórico e fiz um “down hill” muito forte com uma velocidade alta e consegui imprimir uma técnica muito boa. Passei por vários grupos que subiam o pico e pela cara que faziam eu realmente estava rápido. Em alguns trechos dava para levantar até poeira. Saltava entre as pedras, deixava o corpo derrapar e mais que isso, meu corpo estava em harmonia com aquele ambiente. Me lembrei dos tempo de garoto onde me juntava com meus primos para fazer certas estripulias correndo e saltando por toda parte. Como eu me diverti neste último dia.

No total foram 90 km percorridos em três dias de treino com 7500 metros de desnível acumulado. Tenho certeza que estes treinos me ajudarão muito na preparação final para a Ultra de Los Andes dia 15 de outubro.

 

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Agradeço aqui a força que todos me dão e me ajudam a seguir em frente atrás dos meus sonhos!!!

 

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 Um forte abraço a todos!!!

 

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comentários  

 
0 #3 avokiciduxoj 11-09-2017 00:55
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0 #1 ecimuyiaoet 11-09-2017 00:11
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