Travessia Lapinha - Tabuleiro

Travessia Lapinha – Tabuleiro

Por: Cássio Pedrosa

O Caminhos Mundo Afora faz em terras mineiras sua primeira aventura.
Nos dias 3, 4 e 5 de junho fizemos um dos mais belos roteiros de trekking da cordilheira do espinhaço: a travessia Lapinha – Tabuleiro, repleta de paisagens deslumbrantes e experiências marcantes.

1º Dia

Iniciamos nosso trajeto no vilarejo de Lapinha da Serra, de onde partimos em direção à cachoeira de Tabuleiro, localizada no Parque Estadual Ribeirão do Campo. Nós estávamos parados de mochilas nas costas ao pé da serra e pretendíamos atravessá-la, para subir o pico do Breu. A temperatura estava baixa e uma forte névoa cobria a parte alta da serra. Caminhamos para o alto pela trilha de pedras esbranquiçadas até a cachoeira da Lapinha, um ótimo ponto para se contemplar a lagoa da Lapinha e toda a região. O caminho exigia um pouco de cuidado, nesse ponto deveríamos seguir uma trilha a esquerda para atravessar o morro a nossa frente e começar a subida ao pico do Breu que estava logo atrás da serra, procuramos visualmente a fenda de acesso ao morro, mas não encontramos. Seguimos então a trilha pela direita da cachoeira da Lapinha em busca de outra trilha que nos levasse à parte de trás da serra, há alguns metros nesse caminho encontramos Peter e Edver - dois aventureiros que também procuravam o acesso ao topo do pico do Breu. Abrimos o mapa e estudamos as possibilidades de caminhos, foi quando percebemos que havia uma fenda em uma parte da serra no sentido diagonal mais à esquerda da cachoeira da Lapinha, a essa altura já havíamos perdido cerca de 50 minutos de caminhada e aos conselhos de Peter e Edver, decidimos fazer o caminho que contorna o pico do Breu. A partir desse ponto passamos a caminhar juntos eu, Raione, Edver e Peter. Descemos ao pé da serra e seguimos pela trilha que nos leva à direita da serra para o contorno do Breu, após alguns minutos de caminhada nos encantamos com a visão da lagoa da lapinha e um belo trecho do rio que se liga a ela. Mais acima vimos uma pequena capela de pedra, terminando de subir a serra outra visão de tirar o fôlego: um imenso horizonte de campos verdes com algumas árvores ao centro onde havia um antigo curral de pedras, um bom lugar para acampamento, mas decidimos esticar um pouco mais caminhando em meio a amplas paisagens. Nós paramos em um pequeno riacho com água limpa, e decidimos ficar por ali, montamos nosso acampamento, preparamos comida e nos recolhemos. A madrugada foi bem fria, com temperaturas baixas, a sensação térmica era aproximadamente 7 ºC.

2º Dia

Acordamos por volta das sete horas com uma leve garoa que ameaçava nos acompanhar durante o dia, tomamos café, desmontamos o acampamento e seguimos nossa jornada. Poucos metros à frente do nosso acampamento, passamos por uma porteira e atravessamos um riacho que parecia ser o rio Parauninha, a água cristalina e a areia faziam daquele lugar uma linda prainha, esse nosso segundo dia de caminhada prometia ser bem extenso e nosso objetivo era chegar até a casa de dona Maria para fazer o pernoite. Mas antes paramos na casa de dona Ana Benta, uma senhora de 79 anos que vive ali sozinha, mulher forte e bem simpática, tomamos seu delicioso café enquanto observavamos a névoa que cobria o Breu, pegamos as mochilas e com as dicas de seu sobrinho Lucas, seguimos subindo a trilha em direção à estrada. Resolvemos pegar um atalho à direita, subimos através das rochas e o visual nos impressionava a cada metro, lá embaixo a casa de dona Ana Benta já era uma pequena casinha com seu curral, continuamos nossa subida até uma estrada de terra que acompanhava uma cerca, nesse ponto tínhamos que encontrar uma porteira na cerca, mas parece que tínhamos pegado a estrada errada, a correta estava a 90º,  mas decidimos continuar por ela e encontramos uma outra porteira que nos levou a uma trilha alternativa. Passamos por uma ponte com outra porteira, paramos para um breve lanche e seguimos dentro de uma fazenda passando por uma ponte feita de um tronco de arvore, pegamos uma trilha de atalho por dentro de uma mata, e chegamos enfim a casa de dona Maria, uma senhora bem simples mas muito simpática que nos recebeu super bem. Montamos o acampamento com uma das melhores vistas da travessia, um mar de montanhas, tomamos um banho bem quentinho e provamos uma deliciosa comida mineira preparada pela dona Maria, com seu papo super agradável ela nos conquistou, depois disso algumas boas horas de sono na madrugada bem gelada.

3º Dia

O dia amanheceu com bastante névoa, desmontamos o acampamento bem rápido para aproveitar o café com cravo da dona Maria, Peter e Edver desceram na frente, Raione e eu logo atrás, nos encontramos em uma porteira, a trilha da descida é bem rochosa, a mais ou menos 30 minutos de caminhada avistamos um vale onde a névoa estava forte, ficamos ali por um tempo e a névoa passou nos revelando um verdadeiro cartão postal. Continuamos descendo até uma bifurcação, a trilha mais abaixo ia em direção a tabuleiro, e a trilha à direita levava ao Parque Estadual Ribeirão do Campo, seguimos por essa trilha até a entrada do parque, onde fomos informados que a parte de baixo da cachoeira estava interditada devido ao risco de uma tromba d’água, para visitar a parte de baixo é necessário atravessar o riacho em que a cachoeira deságua e com o aumento da vazão existia o risco de ficarmos ilhados do outro lado, fomos então em direção ao mirante da cachoeira, fizemos algumas fotos e ficamos ali por alguns minutos admirando toda aquela beleza. Saímos do parque e descemos até o distrito de tabuleiro, onde fizemos a tradicional foto na igreja da cidade encerrando ali nossa expedição.

Cássio Pedrosa
www.caminhosmundoafora.wordpress.com

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