Cachoeira da Fumacinha

Cachoeira da Fumacinha


Tipo: Cachoeira/Cânion

Região: Parque Nacional da Chapada Diamantina

Localização: Ibicoara - BA, Brasil, América do Sul

Lat/Lon:   13°15'30.41"S /  41°16'20.19"W

Atividades: Caminhada

Época do Ano: Verão, Primavera, Outono e Inverno

Altitude: 700 à 1.200 m




Descrição



A Cachoeira da Fumacinha situa-se no extremo sul do Parque Nacional da Chapada Diamantina, no limite entre os municípios de Mucugê e Ibicoara. É formada pelo Riachão das Pedras, que atravessa placidamente os Gerais do Machambongo até adentrar num profundo cânion, formando o que é na verdade um complexo de cachoeiras composto de 4 quedas d´água, uma primeira de 70m de altura, seguida por duas de 20m cada e o lance final de cerca de 100m de altura, o mais famoso de todos.


Cachoeira da Fumacinha


Existem duas formas de se acessar a cachoeira, "por cima" e "por baixo", cada uma com distintas paisagens e graus de dificuldade. A trilha por cima é bastante tranquila, fácil, e tem uma paisagem típica de chapadões e gerais (campos de altitude), terminando na porção superior do canion, de onde se tem mirantes do restante do canion e das 3 primeiras quedas do complexo (a queda principal fica escondida). Já a trilha "por baixo" é mais extensa e díficil, sendo praticamente toda ela no interior do canion junto ao rio, mas a recompensa de se ver esta maravilhosa cachoeira compensa todo sacrifício.


Mirante do Capão Redondo

Entrando na Catedral de Pedra


Ambas a caminhadas devem ser realizadas com o acompanhamento de guias, tanto pelos riscos envolvidos quanto pelo conhecimento deles da região. Os guias podem ser contratatos em Mucugê ou Ibicoara (somente para a trilha por baixo).


Catedral da Cachoeira


   Altitude: até 1.200 m
   Administração: ICMBio
   Bioma: Cerrado e campos (gerais) nos platôs, Mata Atlântica nos vales
   Carta Topográfica:
   Atração: Paisagem, montanhas, formações rochosas, flora, canyon e cachoeira

A Trilha



CACHOEIRA DA FUMACINHA POR CIMA



O melhor acesso para se iniciar a trilha é a partir de Mucugê, a bela cidade no sul do PN da Chapada Diamantina e onde foi descoberto o primeiro diamante, que acabou por revolucionar toda a economia da Chapada. Não deixe de visitar o Museu do Garimpo, que conta em detalhe toda esta história.


Região de Cascavel, onde os sopés das chapadas estão sendo ocupados por plantações de café


A partir de Mucugê, tomar a rodovia BA-142 para o sul até o entroncamento para o Distrito de Cascavel. Este trecho tem um visual diferenciado, onde grande gerais cobertos por Cerrado estão dando lugar a grandes investimentos agrícolas, que são bem visíveis na forma dos pivôs de irrigação. A partir daí a estrada é de chão, e passando a cidade são mais 15km até o início da caminhada, numa região onde infelizmente as matas estão dando lugar a plantações de café.


Gerais do Machambongo


A trilha em si é muito fácil e tranquila, com aclives e declives suaves e belas paisagens, com os campos dos Gerais de Machambongo a perder de vista, demandando cerca de 1,5h de caminhada até se chegar ao Riachão das Pedras, a menos de 50m do início das quedas. Após um refrescante banho de rio fomos levados pelo nosso guia Joaab para mirantes escondidos, alguns com acesso desafiador (como um pulo sobre uma fenda de 1,5m por 100m de profundidade), de onde pudemos ver as tres primeiras quedas e uma boa extensão do cânion


Vista do Canion da Fumacinha

Vista da primeira queda (70m) do complexo da Fumacinha



CACHOEIRA DA FUMACINHA POR BAIXO



Diferentemente da trilha pela parte alta, chegar à Fumacinha por baixo necessita de muito mais disposição, primeiro pela distância a ser percorrida de carro (2h de estrada de chão ruim a partir de Ibicoara) segundo pela caminhada em si (5h pulando pedras no leito do rio). A cidade de Ibicoara, diferentemente das demais cidades da Chapada, é recente e não tem construções históricas, tendo a economia focada no agronegócio e mais recentemente no turismo.


Visual de Ibicoara


O planejamento deve incluir um pernoite em algum local próximo, pois é recomendável iniciar a caminhada logo cedo, pelas 7h da manhã. É possível dormir em Ibicoara, mas o ideal é dormir no Povoado do Baixão, local onde se inicia a trilha. Lá existe a casa do Luciano, guia da Agência Bicho do Mato de Ibicoara, que aluga quartos com pensão completa e dispõe de área para camping, incluindo aí ótimas comidas e cachaças locais. Para organizar esta logística, o ideal é entrar em contato com alguma das agência de guias em Ibicoara (Bicho do Mato - (77) 3413-2468, Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. , ou a ACVIB - Assoc. dos Condutores de Visitantes de Ibicoara - (77) 3413-2048) e agendar com o guia. Alguns dos guias de Ibicoara moram no Baixão, o que pode facilitar a logística e baratear um pouco o passeio.


Capão Redondo, entre Ibicoara e o Baixão


As duas horas de carro entre Ibicoara e o Baixão já são uma atração a parte. Após uma ladeira bastante empinada se inicia a travessia do Capão Redondo, um vale bastante amplo cercado de morros e chapadas. Algum dizem ser o novo Vale do Capão, com muita gente "alternativa" e preços dos terrenos ainda bastante acessíveis. Após meia hora mais uma subida pronunciada e uma parada obrigatória no Mirante do Capão Redondo. Mais meia hora se passa pela entrada (não sinalizada) para a Cachoeira do Buracão, talvez a principal atração natural de Ibicoara, e que fica na continuação do rio da Fumacinha (Riachão das Pedras). Ainda faltam pelo menos 40min até se descer a outro vale e se deparar com as casas dispersas entre canaviais e cafezais do Vilarejo do Baixão.


Início da caminhada


Deve-se iniciar a caminhada bem cedo, a partir da casa de um nativo, onde há lugar para estacionar (mediante uma taxa simbólica). O início da caminhada é bem tranquilo, junto ao Rio Riachão que ainda corre calmo nesta parte. O visual é muito bonito, com grandes paredões da Serra da Bocaina a esquerda, e se desfruta de bastante sombra, proporcionada pela densa Mata Atlântica que ocorre nos fundos de vales desta região.

Após uma meia hora é feita a primeira travessia do rio, pulando por várias pedras pequenas, daquelas que voce pisa e pensa: "vai rolar". A partir daqui começam algumas subidas e descidas a medida que se toma a direita para adentrar ao Canion, cujos paredões irão nos acompanhar pelas próximas 4h até a cachoeira.


Rio bastante calmo ainda


A partir daqui a caminhada vira um pula-pedra constante, onde se atravessa o rio várias vezes. Como havia chovido um pouco na noite anterior e o sol demora a bater no fundo do canion, algumas pedras estavam muito lisas, então coloque escorregões e botas molhadas no check-list da trilha. O visual é sempre muito bonito, com sucessivas quedas d'água e poços com as típicas águas vermelhas da Chapada. As árvores são enormes e a flora em geral muito variada, com bromélias, orquídeas, trepadeiras e outras espécies.


Travessia do rio


A primeira parada mais prolongada é feita um pouco depois do Canion do Joel, uma bifurcação a direita do canion principal, onde fica o Poço da Pedra Lascada. Neste local fica o trecho mais desafiador, uma pequena escalada de 2 ou 3 lances que já fez muita gente desistir, pois é bastante exposta, mesmo que o castigo seja cair na água, 4 ou 5m abaixo.


Já caminhando no canion

Uma das várias cachoeiras no canion


Daqui ainda são umas 2h até a Fumacinha; o canion se estreita ainda mais, há a bela Cachoeira do Encontro, a mata vai fechando até que se tem a primeira vista da Catedral onde fica a cachoeira. Ainda não dá pra ver a queda, mas a paisagem de um grande paredão negativo de rocha branca, com uma mata atlântica cheia de palmitos e a Catedral é simplismente surreal, uma espécie de lugar perdido, um "jurassic park" em plena Chapada.


Primeira vista da Catedral

Detalhe da Catedral de Rocha, onde fica a cachoeira


Ainda se gastam uns 20min andando para que se tenha a primeira vista da água despencando de uma das paredes da Catedral. Ainda é preciso mais alguns minutos, alguns trepa-pedras para se ter a primeira plena-vista de toda a cachoeira. A Catedral de rocha onde fica a cachoeira tem, estimo, uns 500m de profundidade por uns 300 de altura. A água cai cerca de 100m partir de um canion lateral e a altura total da Catedral é no mínimo a somatória das outras 3 quedas. Além dela ser muito estreita e alta, as paredes são inclinadas (dizem que o sol nunca bate lá dentro) e todas revestidas por musgos e liquens. Aos pés da cachoeira um enorme poço com água mais gelada que o costume para a chapada (acho que só o poço da Cachoeira da Fumaça é mais gelado). O lugar é deslumbrante e as fotos saem facilmente, mas para as fotos fiquem boas vale a pena carregar um tripé, nem que seja daqueles pequenos. Eu não levei e 9 em 10 fotos ficaram tremidas.

Como a volta é igualmente longa (começamos a andar as 7h, chegamos 12h na boca da Catedral) ficamos pouco mais de 1h dentro e após um renovador mergulho já botamos os pés na trilha, ou melhor, nas pedras, para retornar. A volta leva praticamente o mesmo tempo da ida e chegamos no carro já no fim da tarde.

Primeira vista da cachoeira
Primeira vista da cachoeira
Primeira vista da cachoeira
Cores da Chapada
Já no interior da Catedral de Rocha
Cachoeira da Fumacinha
Vista para o alto da Catedral, mostrando sua singular geometria
Cachoeira da Fumacinha
Bem perto do poço da Cachoeira da Fumacinha
Vista do poço, onde o ponto branco na água à direita é uma pessoa



Localização



Extremo Sul do Parque Nacional da Chapada Diamantina, Municípios de Ibicoara e Mucugê, Bahia.


Como Chegar



Mucugê fica a 475km de Salvador, de onde se toma as BRs 324, 116 e 242. Após a cidade de Lagedinho, pegar a esquerda rumo Andaraí. Mucugê é a próxima cidade. Em julho de 2010 este trecho estava com asfalto regular a ruim, o restante é muito bom. Ibicoara é a cidade seguinte após Mucugê, cerca de 70km adiante.

Para quem vem do Sul do País, deve tomar a BR 116 (rio - bahia) até Vitória da Conquista, depois tomar a BA-262 (asfalto péssimo no ano de 2009) até Anagé, e depois a BR-407 e a BA-142, passando por Tanhaçu, Ituaçu, Barra da Estiva, Ibicoara e chegando a Mucugê.

Tomar cuidado com as estradas que aparecem no google maps/earth. Na região de Ibicoara elas estão, simplismente, todas erradas (algumas sequer são implantadas), por isso não dependa do GPS, melhor utilizar o bom e velha mapa rodoviário.


Distâncias das Capitais



   Rio de Janeiro (RJ): 1360km
   Salvador (BA): 475km


Mapa Dinâmico




Visualizar Trilhas para a Cachoeira da Fumacinha em um mapa maior


Pessoal, as estradas mostradas no google maps e google earth na região da Chapada contém muitas incorreções, pois contém estradas projetadas que nunca foram construídas e as estradas verdadeiras não estão cartografadas. A região de Ibicoara é especialmente crítica neste aspecto. O melhor é aproximar a imagem e procurar as estradas "manualmente", aproveitando a boa qualidades das imagens nesta região.


Quando Ir



Qualquer época do ano para a caminhada por cima. No verão chove mais mas a vegetação fica mais exuberante e os rios mais cheios, no inverno o tempo mais encoberto e temperaturas mais amenas torna a caminhada mais agradável. Na primavera é muito seco, os rios ficam com pouca água e o risco de incêndios é elevado.

Para a caminhada por baixo, é recomendável se evitar o período de Dezembro a Maio, pois como toda a caminhada é feito dentro do cânio o risco de acidentes em caso de uma tromba d'água é grande. Os guias falam de ocasiões onde tiveram que esperar dias para o rio baixar e poderem voltar para o Baixão.


Acampamento



Em ambos os trechos é possível acampar, mas por baixo os lugares são bastante restritos (normalmente são tocas de pedra).


Galeira de Fotos



Álbum de fotos da trilha da Fumacinha por Baixo - Julho de 2010
Álbum de fotos da trilha da Fumacinha por Cima - Maio de 2009

   Para quem gosta da Chapada Diamantina e da natureza como um todo, sugiro uma visita ao site do fotógrafo Rui Rezende (www.fotosdachapada.com), onde há fotos de todo e qualquer lugar da Chapada, além do contato dos melhores guias.


Dicas



   Não esqueça de levar um bom filtro solar, mesmo quando o tempo estiver encoberto.


Tempo





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comentários  

 
0 #2 21-05-2013 23:09
Olá! Eu e um grupo de 3 amigas estamos com viagem marcada pra Chapada em agosto. Estou louca pra fazer a trilha pra Fumacinha por baixo, mas tenho receio de não dar conta. Vocês acham que uma pessoa "normal" consegue fazer essa trilha numa boa? Sabe se a mulherada costuma conseguir terminar a trilha? Além da Pedra Lascada, existem outros trechos perigosos? O que faz a trilha ser classificada como difícil?
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0 #1 Rodrigo César Alves de Azevedo 08-11-2011 08:53
Lindo esse lugar... Qual a pousadinha mais próxima???
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