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Trilha na Ponta do Espia - Ubatuba - SP

Trilha na Ponta do Espia - Ubatuba - SP

N√£o h√° como negar, o litoral norte de S√£o Paulo e sul do Rio de Janeiro est√° entre os lugares mais bonitos do mundo. Alguns poder√£o citar praias maravilhosas no nordeste e com certeza disso eu n√£o posso discordar. Mais sem nenhum bairrismo, nada se compara a este peda√ßo que pode sim ser chamado de para√≠so. Caminho h√° d√©cadas pelas praias desertas e nunca me canso de enaltecer tanta beleza. S√£o Sebasti√£o, Ilha Bela, Ubatuba, Parati, Angra, cada um destes munic√≠pios escondem praias selvagens e intocadas, onde a Mata Atl√Ęntica lambe o mar, cachoeiras despencam de montanhas, dezenas de c√≥rregos de √°guas cristalinas correm em dire√ß√£o ao litoral, fauna e flora exuberante. E tudo isso com acesso por v√°rias trilhas que podem levar horas e at√© dias para serem percorridas.Mas n√£o tem jeito, quem for para l√° como turista pregui√ßoso, pouco ver√° de toda esta beleza,porque para conhecer tudo isso ter√° que usar o melhor meio de transporte que a natureza j√° consegui criar, AS PERNAS .

Trilhas famosas e espetaculares podemos contar em dezenas: Volta da Ilha Grande,Ponta da Joatinga, Camburi a Trindade,Corisco.Saco das Bananas,Sete Praias,Corcovado,√Āguas Claras,Ribeir√£o do Itu,Praia Brava, Praia do Bonete,Volta da Ilha Bela,Trilha das Sete Fontes, etc,etc,etc.....

Finalmente, até que enfim, a meteorologia previa para o feriado de finados, três lindos dias de sol, coisa que não havia acontecido em praticamente todos os feriados na região sudeste, este ano. Como no feriado passado eu havia viajado sozinho, não teve jeito, tive que acompanhar a   família até a praia. Juntamos tudo que podíamos no velho carro, incluindo aí, mulher, criança, cunhado, sobrinha, amigo do trabalho, comida, colchão, frango, farofa, caixa de isopor, bola , papagaio e cachorro(opss,esqueci,não tenho papagaio e nem cachorro) . Rumamos todos para Ubatuba, onde havíamos alugado um casebre em Itaguá.

N√£o tem jeito, aventureiro em Ubatuba n√£o consegue sossegar o facho. Pra todo lado que se olha haver√° sempre uma paisagem espetacular convidando-o para uma nova aventura. E estando perto do centro, meus olhos j√° se voltaram logo para a √ļnica pen√≠nsula que eu ainda n√£o conhecia por aquelas bandas, a Ponta do Espia.Eu j√° havia at√© procurado informa√ß√Ķes sobre as trilhas que existiam por l√° ,mas nem o Sr Google conseguiu¬† responder as minhas perguntas. As informa√ß√Ķes s√£o muito escassas, sabia apenas que a trilha partia da praia da Enseada e mais nada. Mesmo¬† assim deixamos a ‚Äúfamiada‚ÄĚ se divertindo na praia. Arrumamos as pequenas mochilas com alguns lanches, um cantil, e outros equipamentos b√°sicos e seguimos para tentar encontrar esta tal trilha.

Passamos pelo bal√£o e adentramos na Praia Grande de Ubatuba. Havia nesta praia, um milh√£o de pessoas. Era tanta gente, que para entrar no mar era preciso formar fila. Na areia jacar√©s do papo amarelo, torravam-se ao sol. Dos quiosques, ouvia-se calipysus,dejavus e bondes do tigr√£o. A frase para resumir o que vimos seria esta : A VIS√ÉO DO INFERNO. Bom, antes que o pr√≥prio ‚Äúrabudo‚ÄĚ viesse nos dar as boas vindas pessoalmente, tratamos logo de passar batidos por esta praia, e tamb√©m pela Praia das Toninhas.Depois a estrada sobe at√© um mirante, curva-se para a esquerda e √© na pr√≥xima estradinha a esquerda que deixamos a Rio-Santos e seguimos por alguns minutos at√© que ela acaba bem no meio da Praia da Enseada.

A Praia da Enseada √© uma praia de √°guas calmas e transparentes e acho que aqui √© um bom local para deixar toda a fam√≠lia, caso eles n√£o queiram seguir pela trilha . Como esta √© uma trilha com desn√≠vel muito baixo, n√£o vejo problema algum em levar as crian√ßas acima de sete anos, mas agora se voc√™ teve a infeliz ideia de viajar com a sogra, sugiro que a deixe na Praia Grande mesmo,porque la a ‚Äúveia‚ÄĚ se sentir√° em casa.

Estando na praia, seguimos para a esquerda e depois de passarmos por algumas belas casas, encontramos a tal trilha. No come√ßo ela √© larga e se confunde com o quintal das pr√≥prias casas que domina parte da encosta, √Äs vezes ela vira mesmo o quintal das casas e ganha at√© cal√ßamento. Passa por uma pequena prainha com um √≥timo local para mergulho e chega at√© uma porteira preta com algumas placas de boas vindas do tipo: CUIDADO C√ÉO BRAVO, PROPRIEDADE PARTICULA DO FULANO DE TAL, CAIA FORA, SE MANDA. Como sab√≠amos que esta trilha √© de uso p√ļblico, ignoramos estas tais placas, abrimos a porteira e seguimos enfrente. Na verdade a minha vontade era de arrombar estas porteiras a pontap√©s, fico indignado com as coisas que acontecem neste pa√≠s, alguns indiv√≠duos acham se no direito de se apropriarem das coisas de uso p√ļblico com se sua fosse, o pior √© que o poder p√ļblico, no caso a Prefeitura de Ubatuba acaba se omitindo. Por falar nisso, outra placa tamb√©m chama aten√ß√£o, a de proibi√ß√£o para acampar. Tamb√©m n√£o vejo porque respeit√°-la, j√° que o estado n√£o teve nenhum crit√©rio para proibir estas tais constru√ß√Ķes, n√£o ser√° uma inocente barraquinha, usada com os crit√©rios de m√≠nimo impacto ambiental, que far√° algum mal para estes locais.

Passamos ent√£o pela tal porteira e cruzamos um corredor com muro de pedra dos dois lados, at√© sairmos em outra porteira. Depois passamos por uma casa amarela, √† direita, e chegamos a um pequeno portinho artificial. Se n√£o me engano, √© aqui que a trilha se bifurca.¬† N√≥s pegamos a da direita seguindo pela encosta, mas a da esquerda tamb√©m poderia ser usada, pois vai dar no mesmo local, ou seja, as duas trilha v√£o se cruzar mais a frente junto a uma bica d‚ÄĚ√°gua¬† e da√≠ ser√£o uma s√≥ trilha. Daqui pra frente a trilha n√£o tem mais que um metro de largura e segue por dentro da mata,¬† ganhando altura levemente. √ą um caminhar gostoso e desimpedindo, onde v√°rios riachinhos ser√£o cruzados.De vez enquanto lagartos cruzam o nosso caminho, alguns p√°ssaros pulam entre as √°rvores, outros barulhos s√£o ouvidos e imaginamos ser esquilos e outros pequenos animais assustados com nossa silenciosa presen√ßa . √Ās vezes localizamos sinais de trilhas a nossa direita, muito provavelmente v√£o dar em algum recanto de pesca ou mesmo em pequenas outras praias,mas n√≥s n√£o investigamos. Como n√£o conhec√≠amos o local preferimos tentar encontrar mesmo a trilha principal que ia nos levar at√© a PRAIA DE FORA. N√£o demorou muito e a encontramos. √ą uma trilha bem batida que desce a direita da trilha que v√≠nhamos seguindo.

Pegando então a trilha da direita, iniciamos a íngreme descida até a praia. Alguém colocou pedaços de corda para ajudar na descida, mas não vejo nenhuma dificuldade e como a corda está muito podre dispensamos esta tal ajuda e descemos segurando pelas raízes e galhos até a entrada da praia.

A chegada á praia é simplesmente espetacular. São 999.995 pessoas a menos que na Praia Grande, ou seja, não mais que cinco surfistas estão no mar. A praia é selvagem. Nenhuma casa, nenhum quiosque, nenhum barco, não tem axé, não tem funk, nem sertanojo. No canto esquerdo um córrego de água doce. Em toda a extensão da praia enormes árvores faz a alegria dos que gostam de sombra e água fresca. A praia não é muito grande, o que a torna mais aconchegante ainda. Ha algum lixo por aqui, mas por incrível que pareça a maior culpa é mesmo da maré que acaba trazendo-o de outra parte. Foi esta mesma maré que há décadas atrás trouxe para cá, latas de maconha arremessada por traficantes que para fugir da polícia tiveram que dispensá-las ao mar.

Aproveitando a sombra das grandes árvores fizemos uma pausa para um lanche. Enquanto comia, fui acometido por uma grande alegria por estar ali naquele lugar maravilhoso. Aquilo era outro mundo, enquanto a menos de uma hora daqui, milhares e milhares de pessoas se acotovelavam para conseguir um lugar ao sol, tínhamos uma praia só para nós. Sinto-me um privilegiado!!! Pena não ter trazido minha barraca, se não ficaria por aqui mesmo até o fim do feriado.

Bom, mas a trilha n√£o acaba aqui na Praia de Fora. Abandonamos este pequeno para√≠so e voltamos para trilha principal. Interceptando a trilha, nosso caminho segue agora para a direita, e em alguns minutos passa por uma √°rvore ca√≠da e desce a um pequeno c√≥rrego e volta a subir. Esta trilha me parece ser raramente usada, pois est√° muito fechada e por vezes somos obrigados a nos rastejar e passar por baixo de arbustos e samambaias. Ela √© bem n√≠tida, n√£o h√° com se perder e n√£o demora muito estamos no topo, e as grandes √°rvores d√£o lugar a vegeta√ß√£o rasteira e a vis√£o fica totalmente desimpedida. Daqui a vis√£o √© de encher os olhos. Baias e enseadas se descortinam a nossa frente, ilhas s√£o avistadas, √© um mundo de √°gua sem fim. Descemos mais alguns metros na trilha e logo avistamos o nosso pr√≥ximo objetivo. Os nomes das praias eu n√£o consegui descobrir com exatid√£o. Ouvi falar em Praia do Tapi√°, Praia de Itapecerica e Praia do God√≥i, mas realmente n√£o sei qual seria uma ou qual seria outra. Mas isso pouco importa, do mirante de onde estamos parecer ser uma praia s√≥. Uma linda e deserta praia, de areias limpas, de matas verdejantes e √°guas transparentes, cheio de sil√™ncio e paz, sem nenhuma alma viva. Sem demora come√ßamos a descida at√© l√°. A trilha entra de novo na mata e vai descendo suavemente e s√≥ paramos para fotografar uma espetacular orqu√≠dea a beira do caminho. A trilha segue um pouco fechada e antes mesmo que ela acabe n√≥s a abandonamos e descemos at√© a √ļltima praia.

Praia realmente muito limpa, √°gua aqui n√£o parece ser problema. Aproveitamos o calor de 35 graus para um belo e refrescante mergulho. O mar aqui √© muito bravo e se o sujeito n√£o sabe nadar √© melhor mesmo ficar fazendo castelinhos na areia. Cruzamos a praia pela areia e tentamos descer at√© a pr√≥xima, mas n√£o conseguimos. Ent√£o subimos pela mata at√© sair na trilha principal e voltamos mais alguns metros e achamos uma apagada trilhinha de conex√£o e descemos. √ą uma pequena praia de n√£o mais de 15 metros, talvez desapare√ßa na mar√© alta. Seguimos para a outra praia pelas pedras mesmo, e em menos de 5 minutos j√° est√°vamos de novo na areia. Aqui o mar √© um pouco mais calmo e por isso aproveitamos para dar mais um mergulho. Depois fizemos mais uma pausa para outro lanche. Sentado na areia desta praia, lembrei-me das hist√≥rias que havia lido sobre a saga dos fugitivos da Ilha Anchieta, que ao escaparem nadavam em dire√ß√£o a esta ponta. Olhando para este monte de pedras que s√£o constantemente a√ßoitados pelas ondas, sinto calafrios s√≥ de pensar no sofrimento que seria esta travessia a nado. Bom, n√≥s felizmente estamos √° p√©, e √© √° p√© mesmo que voltamos para a trilha e pegamos o caminho de volta para praia da Enseada.

Seguimos agora em ritmo acelerado, parando de vez enquanto apenas para fotografar algumas plantas e tomar um belo gole de água gelada, direto da fonte. De volta à praia da Enseada, tomamos outro banho nas piscinas naturais junto às grandes pedras e encerramos esta curta, mais espetacular caminhada.

Sa√≠mos desta trilha renovados e prontos para encarar a barb√°rie (opss, civiliza√ß√£o) . Certos de termos desbravados mais um recanto perdido e esquecido deste fascinante litoral, um lugar especial e fascinante que fica a menos de 10 km do inferno, um recanto de paz,tranq√ľilidade.

DIVANEI / NOVEMBRO DE 2009

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